quinta-feira, 26 de maio de 2011

O Evangelio Segundo Jesus Cristo

quinta-feira, 19 de maio de 2011

José Saramago em entrevista a folha de São Paulo

Resumo da obra "Ensaio sobre a Cegueira" de José saramago

Um dia normal na cidade. Os carros parados numa esquinas esperam o sinal mudar. A luz verde acende-se, mas um dos carros não se move. Em meio às buzinas enfurecidas e à gente que bate nos vidros, percebe-se o movimento da boca do motorista, formando duas palavras: "Estou cego".
O homem dentro do carro esbraceja, grita, mas não consegue escapar da cegueira branca que inunda seus olhos. É uma cegueira diferente, luminosa, como se ele tivesse mergulhado de olhos abertos num "mar de leite". Apesar disso, seus olhos tem uma aparência normal.
As pessoas o ajudam a sair do carro e ele, entre lágrimas, implora que alguém o leve para casa. Um homem oferece-se para ir dirigindo seu carro. Como não havia local disponível para estacionar na rua da cada do cego, ele desceu do carro e ficou esperando o homem, que estacionou numa rua transversal. Subiram até o apartamento, que ficava no 3º andar. O homem quis aguardar até que a mulher do cego chegasse, mas este, com medo daquele estranho, preferiu recusar a oferta.
Quando a mulher chega e o marido lhe conta que está cego, ela custa a acreditar, depois desespera-se e liga para o primeiro oftalmologista que encontra na lista telefônica, marcando uma consulta urgente.
O cego aguarda em frente ao prédio enquanto sua mulher vai buscar o carro na rua em que ele disse estar estacionado, com sua própria chave, pois o homem que levou-o para casa não entregou-lhe a chave. Ela volta com um táxi , pois aquela "boa alma" roubou-lhes o carro.
Na sala de espera do consultório estavam um velho com uma venda preta, um rapazinho estrábico e sua mãe, uma rapariga de óculos escuros e mais duas pessoas. Passaram o cego na frente dos outros pacientes e, depois de examiná-lo minuciosamente por duas vezes, o médico conclui que não há nada de errado com seus olhos; estavam aparentemente perfeitos. Pediu alguns exames mais detalhados e, quando saíram, ficou pensativo, nunca vira coisa parecida em toda sua vida.
O sentimento de culpa foi tomando conta do ladrão do carro. Quando se ofereceu para ajudar o cego, ainda não tinha o roubo em mente; a idéia só lhe apareceu quando estava em direção à casa do cego. Sentia-se mal estando sentado no mesmo lugar onde um homem sadio acabara de cegar. Nervoso, o ladrão redobrou a atenção e começou a controlar o carro para que nunca tivesse que parar num sinal vermelho. Estava à beira de um ataque de nervos e o barracão para onde costumava levar os carros roubados ficava longe dali. Então, parou o carro, desceu para tomar um pouco de ar, andou um pouco e, de repente, cegou. Foi encontrado por um policial que o levou para casa, desta vez não por ter roubado, o policial não sabia disto, mas sim por não ser capaz de orientar-se sozinho.
O caso da rapariga dos óculos escuros era simples, apenas uma conjuntivite. Quando saiu do consultório, já à noite, chamou um táxi, passou na farmácia e comprou o colírio que o médico lhe receitara. A bela rapariga dos óculos escuros era uma prostituta e tinha um encontro marcado num hotel aquela noite. Depois do explosivo encontro amoroso, ainda via tudo branco, mas não era por causa do êxtase que sentia, ela também cegara. Nua e aos gritos, a rapariga foi vestida às pressas e colocada para fora do hotel. Um policial extremamente grosseiro levou-a para a casa dos pais num táxi.
Depois de atender todos os pacientes, o médico ligou para um amigo e falou sobre o caso. A princípio suspeitaram de uma agnosia ou amaurose, mesmo sabendo que ambas as doenças tratavam-se de cegueira negra, o oposto do que descrevia o cego. Resolveram marcar uma nova consulta para examinarem juntos o paciente. Chegando em casa, o médico ficou até altas horas pesquisando sobre o assunto em seus livros. Quando resolveu guardá-los para ir se deitar, o médico cegou. Deitou-se devagar para que a mulher não notasse e passou a noite toda em claro, pensando que, como oftalmologista, deveria avisar as autoridades competentes sobre a "treva branca" altamente contagiosa que estava a se espalhar. Quando, na manhã seguinte, contou à sua mulher que estava cego, ela abraçou-o com força, apesar de ele ter tentado afastá-la por medo do contágio, preparou o café e ajudou-o a telefonar para as autoridades. Diante da grosseria com que fora tratado, resolveu avisar diretamente o diretor clínico de onde trabalhava e este se encarregaria de fazer os outros contatos. A essa altura, já tinham notícia da cegueira do rapazinho estrábico, da rapariga dos óculos escuros e do ladrão. O ministério pediu que ele arrumasse as malas, pois mandariam uma ambulância para buscá-lo, mas não avisaram para onde ele seria levado. Quando a ambulância chegou, a mulher ajudou o marido a acomodar-se, guardou as malas e sentou-se ao seu lado. O motorista da ambulância informou que só poderia levar o médico, mas a mulher disse que também teria que ser levada, pois acabara de cegar.
O ministro teve a "brilhante idéia" de deixar todos os cegos e as pessoas que tiveram contato com eles de quarentena, uma quarentena diferente das outras, pois esta ninguém sabia o quanto poderia durar.
O local escolhido foi um manicômio desativado. Havia duas alas: uma seria ocupada pelos cegos, e a outra, pelas pessoas que tiveram contato com eles. Conforme as pessoas da última ala fossem cegando, atravessariam o corredor e se instalariam na outra ala.
Os primeiros a chegar no manicômio foram o médico e a mulher. Havia uma corda esticada do portão à porta do prédio, a qual serviria para orientar os cegos. Subiram as escadas, a mulher guiou o marido até o fundo da camarata mais próxima e deixou-o lá sentado, enquanto ia conhecer melhor o local.
As camaratas eram compridas, com duas filas de camas pintadas de cinza e roupas de cama da mesma cor. Havia várias camaratas, corredores estreitos e longos, gabinetes, banheiros, uma cozinha, um refeitório, três salas acolchoadas e forradas com cortiça; do lado externo, uma cerca e algumas árvores mal cuidadas. Havia lixo por todos os lados e camisas-de-força dentro dos armários.
Só quando a mulher retorna e conta para o marido que o local onde estão é um manicômio, é que ele percebe que ela não está cega. A mulher do médico fingiu estar cega para poder ficar junto com o marido e ajudá-lo.
Os outros cegos chegaram juntos: o primeiro cego, o ladrão, a rapariga dos óculos escuros e o rapazinho estrábico, sem a mãe. Sentaram-se na primeira cama com a qual tropeçaram. Nesse momento, ouve-se uma voz forte e seca no auto-falante fixado em cima da porta:
Atenção! Atenção! Atenção!O Governo lamenta ter sido forçado a exercer energicamente o que considera ser seu direito e seu dever, proteger por todos os meios as populações na crise que estamos a atravessar, quando parece verificar-se algo de semelhante a um surto epidêmico de cegueira, provisoriamente designado por mal-branco, e desejaria poder contar com o civismo e a colaboração de todos os cidadãos para estancar a propagação do contágio, supondo que de um contágio se trata, supondo que não estaremos apenas perante uma série de coincidências por enquanto inexplicáveis. A decisão de reunir num mesmo local as pessoas afetadas, e, em local próximo, mas separado, as que com elas tiveram algum tipo de contato, não foi tomada sem séria ponderação.

O Governo está perfeitamente consciente das suas responsabilidades e espera que aqueles a quem esta mensagem se dirige assumam também, como cumpridores cidadãos que devem ser, as responsabilidades que lhes competem, pensando que o isolamento em que agora se encontram representará, acima de quaisquer outras considerações pessoais, um ato de solidariedade para com o resto da comunidade nacional. Dito isto, pedimos a atenção de todos para as instruções que se seguem, primeiro, as luzes manter-se-ão sempre acesas, será inútil qualquer tentativa de manipular os interruptores, não funcionam, segundo, abandonar o edifício sem autorização significará morte imediata, terceiro, em cada camarata existe um telefone que só poderá ser utilizado para requisitar ao exterior a reposição de produtos de higiene e limpeza, quarto, os internados lavarão manualmente as suas roupas, quinto, recomenda-se a eleição de responsáveis de camarata, trata-se de uma recomendação, não de uma ordem, os internados organizar-se-ão como melhor entenderem, desde que cumpram as regras anteriores e as que seguidamente continuamos a enunciar, sexto, três vezes ao dia serão depositadas caixas de comida na porta de entrada, à direita e à esquerda, destinadas, respectivamente, aos pacientes e aos suspeitos de contágio, sétimo, todos os restos deverão ser queimados, considerando-se restos, para este efeito, além de qualquer comida sobrante, as caixas, os pratos e os talheres, que estão fabricados de materiais combustíveis, oitavo, a queima deverá ser efetuada nos pátios interiores do edifício ou na cerca, nono, os internados são responsáveis por todas as conseqüências negativas dessas queimas, décimo, em caso de incêndio, seja ele fortuito ou intencional, os bombeiros não intervirão, décimo primeiro, igualmente não deverão os internados contar com nenhum tipo de intervenção do exterior na hipótese de virem a verificar-se doenças entre eles, assim como a ocorrência de desordens ou agressões, décimo segundo, em caso de morte, seja qual for a causa, os internados enterrarão sem formalidades o cadáver na cerca, décimo terceiro, a comunicação entre a ala dos pacientes e a ala dos suspeitos de contágio far-se-á pelo corpo central do edifício, o mesmo por onde entraram, décimo quarto, os suspeitos de contágio que vierem a cegar transitarão imediatamente para a ala dos que já estão cegos, décimo quinto, esta comunicação será repetida todos os dias, a esta mesma hora, para conhecimento dos novos ingressados. O Governo e a Nação esperam que cada um cumpra o seu dever. Boas noites.

Após o silêncio, o ladrão levanta-se e acusa o primeiro cego de ser o culpado da tragédia, diz que se não o tivesse ajudado a ir para casa, não teria cegado. Agora o primeiro cego percebe que o outro homem é o ladrão que roubou seu carro e começam a discutir. O ladrão avança sobre ele e rolam por entre as camas, até que o médico e sua mulher conseguem separá-los.
O rapazinho estrábico pede para fazer xixi e, ouvindo isso, surge em todos uma grande vontade de urinar. Decidem ir todos juntos à procura do banheiro. Na fila vão: a mulher do médico, a rapariga segurando o rapazinho pela mão, o ladrão, o médico e, por fim, o primeiro cego.
O ladrão, aproveitando-se da situação, começou a acariciar a nuca e os seios da rapariga. Esta deu-lhe um coice e o salto de seu sapato fincou-se na coxa do homem. O sangue corria pela perna e a mulher do médico, vendo o aspecto ruim da ferida, levou-o à cozinha, com a ajuda do marido, lavou o ferimento e amarrou a camisola do ladrão ao redor.
Voltaram para procurar o banheiro, mas o rapazinho já havia feito xixi nas calças. Depois de satisfazerem suas necessidades, voltaram para a camarata, e contaram as camas para ficar mais fácil de encontrá-las depois. O rapazinho tinha fome, mas teria que esperar até o dia seguinte. Deitaram-se e dormiram.
A mulher do médico foi a primeira a acordar. Observando os cegos dormindo e a sujeira ao redor, a mulher do médico desejou com todas as suas forças estar cega também.
Nesse momento, ouve-se uma gritaria vinda do corredor. Cinco pessoas da outra ala cegaram e foram empurradas para a ala dos cegos. Eram eles: o policial, que encontrou o ladrão na rua a gritar; o motorista de táxi, que levou o primeiro cego ao médico; o ajudante de farmácia, que vendeu o colírio à rapariga dos óculos escuros; a criada de hotel, que socorreu a rapariga quando esta cegou; e a empregada de escritório, que é a mulher do primeiro cego.
O auto-falante avisou que a comida podia ser recolhida. O cego e sua mulher saíram para pegar a comida e aproveitaram para pedir aos guardas os medicamentos para o ferido, mas estes tinham ordens expressas de não deixar entrar nada além de comida.
À tarde chegaram mais três cegos: a empregada do consultório médico, o homem que estivera com a rapariga no hotel e o policial grosseiro que a levou para a casa dos pais. Mal se instalaram e um rebanho de cegos entrou na camarata. Todas as camas foram ocupadas.
Na madrugada, o ladrão resolveu ir ele próprio pedir ajuda aos guardas, imaginando que estes sentiriam pena ao vê-lo naquele estado lamentável. Rastejou, cheio de dores, até o portão. Ao ouvir os ruídos, o soldado foi verificar o que estava acontecendo, assustou-se com o cego e deu-lhe um tiro no meio da cara. O sargento, acordado com o barulho da rajada, ordenou que quatro cegos viessem recolher o corpo.
Autoria: Renato Almeida Silva
fonte:<http://www.coladaweb.com/resumos/ensaio-sobre-a-cegueira-jose-saramago>acesso em 19/05/11

Escritor português José Saramago

José Saramago - filho e neto de camponeses - nasceu na aldeia de Azinhaga, província do Ribatejo, ao sul de Portugal, no dia 16 de novembro de 1922, ainda que os registros oficiais mencionem como data de nascimento o dia 18.

Seus pais mudaram para a capital, Lisboa, quando Saramago ainda não havia completado dois anos. Portanto, a maior parte da sua vida decorreu nessa que é uma das mais importantes cidades europeias, embora até o início da idade adulta passasse períodos numerosos e prolongados em sua aldeia natal.

Autodidata, chegou a fazer estudos secundários que, por dificuldades econômicas, não prosseguiu. Seu primeiro emprego foi como serralheiro, tendo exercido depois diversas profissões: desenhista, funcionário da saúde e da previdência social e tradutor.

Iniciou sua atividade literária em 1947, com o romance Terra do Pecado, só voltando a publicar (um livro de poemas) em 1966. Trabalhou durante doze anos numa editora, onde exerceu as funções de gerente de produção e editor de literatura. Também foi crítico literário da revista Seara Nova.

Em 1972 e 1973 fez parte da redação do jornal Diário de Lisboa, onde foi comentarista político, tendo também coordenado, durante cerca de um ano, o suplemento cultural desse vespertino.

Em 1975, tornou-se diretor-adjunto do jornal Diário de Notícias. Acuado pela ditadura de Salazar, a partir de 1976 passou a viver de seus escritos, inicialmente como tradutor, depois como autor. Saramago também participou da primeira Direção da Associação Portuguesa de Escritores e foi, de 1985 a 1994, presidente da Assembleia Geral da Sociedade Portuguesa de Autores.


Prêmio Nobel de Literatura
Saramago era um autor prolífico. Além de romances, publicou diários, contos, peças teatrais, crônicas e poemas. Em 1980, alcança notoriedade com o livro Levantado do Chão. Outro romance, Memorial do Convento repetiria, dois anos depois, o mesmo sucesso.

Em 1991, publica O Evangelho Segundo Jesus Cristo, livro censurado pelo governo português - o que leva Saramago a exilar-se em Lanzarote, nas Ilhas Canárias (Espanha), onde viveu até sua morte.

Primeiro autor de língua portuguesa a receber o Prêmio Nobel de Literatura, em 1998, Saramago foi considerado, pelo crítico Harold Bloom, como "o escritor de romances mais dotado de talento dos que seguem com vida, um dos últimos titãs de um gênero em vias de extinção".

Entre seus outros livros estão os romances O Ano da Morte de Ricardo Reis (1984), A Jangada de Pedra (1986), Ensaio sobre a Cegueira (1995, adaptado para o cinema pelo diretor brasileiro Fernando Meirelles), Todos os Nomes (1997) e O Homem Duplicado (2002). Deve-se citar também a peça teatral In Nomine Dei (1993) e os dois volumes de diários recolhidos nos Cadernos de Lanzarote (1994-7).

Em janeiro de 2010, Saramago relançou o livro A Jangada de Pedra, que teve toda a renda da edição revertida para as vítimas do terremoto no Haiti.

Casado com a jornalista espanhola Pilar Del Rio em segundas núpcias, Saramago deixou uma filha (do primeiro casamento) e dois netos. "Comunista hormonal", como ele mesmo se classificou, Saramago faleceu aos 87 anos.

fonte:http://educacao.uol.com.br/biografias/ult1789u106.jhtm

domingo, 1 de maio de 2011

Fukushima causa x conseqüências

A energia nuclear não é algo seguro, mas dificilmente o que aconteceu no Japão acontecera em outro lugar, foi causado por um terremoto e um tsunami, proveniente do terremoto que é algo comum no Japão, mas não nas proporções que aconteceu. Mas se é algo comum no pais eles deveriam estar preparados para a situação com usinas modernas que obedecem os Padrões de segurança usados hoje.
No entanto o pais não possui recursos naturais para obtenção de energia nuclear é o único recurso, alem da geração de energia a radiação tem outros benefícios que não podem ser abandonados, as conseqüências dessa tragédia podem ser enormes já que a radiação pode causar doenças a curto médio e longo prazo , assim podem nem ser descobertas mortes causadas pela radiação.

Resenha do filme Rapsódia em agosto

O filme rapsódia em agosto retrata a visão ambígua da bomba nuclear, de um lado a dos japoneses e do outro a dos americanos. O filme mostra de forma clara que os japoneses cultivam um ressentimento dos americanos e fazem questão de lembrar o que aconteceu mantendo monumentos, que passam esse ressentimento as gerações que não viverão a bomba. As recentes gerações vivem em um Japão globalizado e, portanto “americanizado” e esta questão é visível nas roupas usadas pelos jovens do filme.
No filme é visível a questão material e o interesse dos japoneses, o que foi transformado depois da bomba porque antes era um pais muito religioso e cultural, agora o que se percebe é que as novas gerações não se preocupam com esses fatores,preocupam-se apenas com a questão financeira ,o que e muito claro no filme com a presença do Clarck.
Quantos aos americanos esses são envergonhados da bomba, do mal causado aos japoneses.
Para mim o que mais foi marcante no filme Rapsódia em agosto são os ressentimentos e a vontade de manter esses sentimentos as novas gerações, a presença do ferro retorcido que não foi retirado, os mármores gravados lembrando as vítimas e à hora do acontecimento, e ainda mais marcante o mármore onde estava gravado “todos morrerão pedindo água” e os jovens do filme joga água sobre o mármore como se dessem água as vitimas.Cultivar ressentimentos só causa rancor as pessoas.